Mendoza, província do vinho

Mais do que qualquer outro país do Novo Mundo, a Argentina sempre foi grande consumidora de vinhos. Não é preciso ser um connaisseur para aproveitar sua viagem a Mendoza. Pelo contrário. Com 130 vinícolas (bodegas, em castelhano) abertas à visitação, Mendoza é uma eno-disney tanto para iniciados como para iniciantes.

Se você está começando agora a descobrir o universo do vinho, basta organizar suas visitas, e você vai sentir em poucos dias a mesma evolução que Mendoza viveu nas últimas décadas.

Faça um mix entre pequenas e grandes bodegas

As visitas às vinícolas seguem basicamente um mesmo roteiro. Primeiro, uma geral sobre a história daquela bodega, às vezes com uma passadinha pelos vinhedos. Depois, uma aula sobre a produção do vinho e os processos usados na vinícola: tanques de fermentação, barricas e que tais. Por fim, a degustação.

Bodegas industriais tendem a oferecer uma visita bem mais engessada. Nas vinícolas familiares, às vezes você dá a sorte de fazer a visita sozinho, e consegue bater um papo com menos script. Por isso, a regra de ouro é sempre misturar vinícolas de portes diferentes num mesmo dia de degustações.

Não se afobe em tentar conhecer todas as grandes vinícolas de Mendoza de uma vez só, isso seria absolutamente impossível. Calcule que em cada degustação você vai experimentar pelo menos três vinhos, mas às vezes são quatro, cinco, seis… Prefira fazer menos visitas, e invista em pelo menos um grande almoço em vinícola. Será sua melhor memória de viagem.

Quando ir a Mendoza

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As vinícolas em Mendoza estão abertas para visitação o ano inteiro.

Mendoza no verão

No verão (entre dezembro e fevereiro) as parreiras estão cheias de vida, dá pra provar uva do pé! Deixe passar dezembro e janeiro, quando o calor pode chegar a 40°C. Programe a viagem para o fim da estação, e escolha um hotel com piscina, para se refrescar na volta dos passeios.

No final de fevereiro começa a colheita das uvas brancas, e em meados de março chega a vez das uvas tintas. É uma época animada em Mendoza, com as vinícolas trabalhando a todo vapor. (Mas evite primeiro sábado de março, quando Festa da Vindima, um evento folclórico, superlota a cidade.)

Mendoza no inverno

Nada combina mais com uma taça de vinho tinto do que um dia de inverno, certo? A desvantagem de se visitar Mendoza no inverno (entre julho e setembro) é encontrar uma paisagem triste, com os vinhedos sem folhas e sem uvas.

As temperaturas mínimas chegam perto de 0°C nos meses mais frios do ano, com médias em torno de 10°C. A melhor oportunidade da estação é combinar vinhos com esqui, com alguns dias de hospedagem na estação de Las Leñas, a 370km do centro de Mendoza.

Mendoza no outono e na primavera

Aposte no outono (entre meados de março e meados de junho) e no início da primavera (fim de setembro a meados de novembro) para combinar temperaturas agradáveis com preços melhores de hospedagem, e vagas menos disputadas nas degustações.

Vinícolas em Mendoza

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Mendoza tem mais de 1.200 vinícolas registradas. Dessas, 130 recebem turistas para visitas e degustações. As regiões mais desenvolvidas na produção de vinhos de alta qualidade, e também no enoturismo, Luján de Cuyo, Maipú e Valle de Uco.

Grande parte das visitas a vinícolas permite experimentar não só exemplares de malbec, como uma diversidade de outras cepas. Uma gama ampla de uvas se adaptou bem à Mendoza.

Cabernet franc, petit verdot, viognier, chardonnay, cabernet sauvignon, syrah e muitas outras podem aparecer nas suas degustações. Mendoza não é só malbec. E nem só vinho tinto. Aproveite e faça novas descobertas!

1. Vinícolas em Maipú

Foi pela zona de Maipú que a produção vitivinícola começou em Mendoza. Com a manutenção de prédios históricos e conservação de antigos maquinários, algumas bodegas ajudam a resgatar essa história. Ainda há na região a cultura de vinícolas pequenas e familiares, que não podem faltar no seu circuito.

Trapiche

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A Trapiche é uma das maiores bodegas da Argentina, com 135 anos de idade e exportação para mais de 90 países. Se instalou em Maipú há pouco mais de 10 anos, num prédio de 1928, de uma antiga vinícola que pertencia a imigrantes italianos. O mais interessante da visita é justamente o aspecto histórico, combinado com o visual dos vinhedos e plantações de oliveiras. No restaurante Espacio Trapiche, grande parte dos ingredientes vêm da própria horta.

Alandes (AMP Cava)

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É uma bodega de produção pequeníssima, instalada num galpão centenário. Na degustação você provavelmente vai experimentar o blend Paradoux, que é da casa, mas também entram na roda outros rótulos produzidos fora de Maipú, e inclusive de outras vinícolas. Em comum, a assinatura do enólogo Karim Mussi, proprietário da Alandes e que também assina os vinhos da Altocedro, Alpasión e Abras.

Vale a visita para fazer um tour quase exclusivo, com mais foco na degustação. E para comprar vinhos excelentes, numerados, que você não veria em prateleiras de loja.

Carinae

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Visitar a pequena CarinaE é se sentir entre amigos. Você vai ser recebido pelos proprietários, o casal Brigitte e Philippe, e conhecer a jornada pessoal de dois franceses que, de amantes de vinho, se animaram a se transformar em donos de bodega. São conhecidos especialmente por sua produção de syrah.

La Rural

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A bodega La Rural, dos vinhos Rutini, é uma das mais tradicionais em Mendoza. Os vinhedos da propriedade em Maipú têm 80 anos de idade, mas a história da vinícola começa ainda antes, em 1885. Parte disso pode ser visto no Museu do Vinho, uma exposição de ferramentas, barricas, carruagens colecionados ao longo dos anos, e que complementa a degustação.

Sin Fin

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Sin Fin é uma empresa familiar que cultiva uvas em Mendoza já de longa data. Tem uma produção grande de vinhos, mas reduzida nos rótulos de etiqueta própria. No prédio onde são recebidos os visitantes, um tanque de fermentação foi transformado em galeria de arte. A parte principal da visita é a degustação.

Casa Vigil

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O almoço na Casa Vigil é uma experiência sofisticada, mas também muito divertida. Primeiro pela harmonização em esquema faça-você-mesmo, em que você é incentivado a descobrir quais vinhos da casa combinam melhor com cada passo do cardápio. Depois, pela presença bonachona de Alejandro Vigil pelo salão. Vigil, engenheiro agrônomo e proprietário, é também o enólogo principal da Catena Zapata, e uma das caras mais conhecidas de Mendoza.

Enófilos de carteirinha não precisam ter vergonha de pedir aquela selfie: é um sujeito muito boa-praça. Depois do almoço, aproveite para dar uma voltinha pela bodega, numa visita informal.

Familia Zuccardi

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A oferta de atividades para o visitante na Familia Zuccardi não poderia ser mais variada. Além da visita comum, a bodega tem degustação de azeites, aulas de culinária para adultos e crianças, travessia de quadriciclo pelos vinhedos e até vôo de balão.

No quesito ‘experiências gastronômicas’, a melhor delas é o menu regional do restaurante Casa del Visitante, com especialidades tipicamente argentinas, incluindo um belo asado. Também é um bom programa fazer um piquenique harmonizado nos jardins da propriedade.

2. Vinícolas em Luján de Cuyo

Foi em Luján de Cuyo que o malbec encontrou o seu lugar e se transformou em parte da identidade argentina. Hoje, algumas das grandes vinícolas da região tentam dar um impulso para que ‘Malbec Luján de Cuyo’ se afirme como denominação de origem controlada.

Belasco de Baquedano

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Entrar na Belasco de Baquedano é perder o fôlego. Todo o vinho produzido na bodega, que tem DNA espanhol, vem das uvas malbec desta mesma propriedade. São filas e mais filas de videiras, que já estavam ali muito antes da chegada da vinícola, em 2008. É uma visita ótima para iniciantes, por tudo isso, e também pela Sala de Aromas, uma espécie de ‘museu de cheiros’ para se aprender a identificar os aromas dos vinhos.

O restaurante tem uma vista privilegiada para os vinhedos e menu mezzo espanhol, mezzo argentino.

Catena Zapata

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A Catena Zapata é a vinícola mais pop de Mendoza. Mesmo tendo uma degustação mais cara do que a média, está sempre com vagas esgotadas. Mas não sem razão: as pesquisas técnicas e de terroir de Nicolás Catena Zapata foram pioneiras e fundamentais para elevar o malbec argentino ao status que tem hoje no mundo.

Apesar de a sede da bodega (com um curioso formato de pirâmide) estar em Luján de Cuyo, muito do sucesso da Catena Zapata tem a ver com apostar em vinhedos de altura no Valle de Uco. Fique ligado, para conseguir lugar na degustação, só reservando com uns dois meses de antecedência, ou recorrendo a passeios em grupo.

Pulenta Estate

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Nas mãos da terceira geração de uma família de tradicionais produtores de vinho, a Pulenta Estate é a interessante mistura de anos de experiência com um visual todo moderninho. Uma espécie de vinícola-boutique, conhecida pela grande qualidade de seus vinhos (passar pela lojinha sem levar nada vai ser difícil). Tem uma degustação sempre elogiada, tanto por conhecedores, quanto por principiantes. Como fica no limite com o Valle de Uco, pode ser visitada a caminho desta região.

Chandon

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A Chandon é uma das propriedades mais bonitas de Luján de Cuyo. Tem uma visita super didática, em que você pode conhecer as diferenças de produção de um vinho comum para um vinho espumante.

Para comer, escolha entre o restaurante, de culinária bem contemporânea, ou faça um piquenique nos jardins, brindando com um baby Chandon.

Susana Balbo Wines

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Susana Balbo, conhecida por impulsionar o desenvolvimento do torrontés (a uva branca preferida pelo paladar argentino), foi a primeira enóloga mulher a se graduar na no país. Não deve ser por acaso que o nome Osadía de Crear foi escolhido para seu restaurante em Luján de Cuyo. É um deleite visual, tanto pela paisagem, quanto pelo capricho nos pratos, com ingredientes da estação.

O menu-degustação pode ser de três ou cinco passos. Grupos de 6 pessoas ou mais podem encomendar um churrasco típico argentino.

Lagarde

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Se estiver visitando Mendoza numa época de tempo fresco, a tradicional bodega Lagarde é uma grande pedida para um gostoso almoço ao ar livre, lado a lado dos vinhedos. O restaurante Fogón faz uma mistura de cozinha italiana com argentina, sabores familiares, mas com uma apresentação bem cuidada. A loja tem ótimas lembrancinhas de viagem.

Ruca Malen

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A Ruca Malen nem precisa de muita propaganda. Foi uma das primeiras em Mendoza a levar alta gastronomia para dentro das bodegas, e o prestígio se mantém até hoje. O menu de almoço é argentino contemporâneo, celebrando ingredientes da região.

3. Vinícolas no Valle de Uco

A última fronteira do vinho em Mendoza tem crescido com investimento estrangeiro. Por aqui você vai encontrar hotéis luxuosos e vinícolas que impressionam tanto pela qualidade dos vinhos quanto pela arquitetura.

Salentein

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Museu, vinícola, restaurante… a gigante Salentein é todo um universo. Mesmo que você já tenha visitado outras vinícolas, esse é um tour que vale a pena. O auge da visita é a visão da cave que hoje armazena 6.500 barricas de carvalho, e a degustação que segue, como numa espécie de altar. Permita-se o tempo de passear pelos vinhedos, fazer compras na ótima lojinha, e visitar o museu, com telas de artistas contemporâneos argentinos.

Andeluna

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É curioso pensar que a Andeluna produza mais de um milhão e meio de litros de vinho ao ano. Na visita, você se sente conhecendo uma vinícola de porte bem menor, provavelmente pelo aconchego que é a área de degustações. A parte ‘fábrica’ da bodega não vai ser a mais interessante entre os seus tours por vinícolas, mas o cenário é único.

No almoço, você pode tanto topar um menu mais extenso, de 6 passos, quanto pedir o ‘menu criollo’, com especialidades argentinas e mais direto ao ponto.

La Azul

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Entre tantos empreendimentos multimilionários, o restaurante que faz mais sucesso no Valle do Uco é o mais descontraído possível. A pequena vinícola La Azul tem um menu 100% argentino, com apresentação ligeiramente repaginada, mas apenas ligeiramente. (Bife de chorizo com cara de bife de chorizo, empanada com cara de empanada…)

O menu harmonizado tem 5 passos: 3 pequenas entradas, um prato principal à escolha, e a sobremesa, que pode ter pêssegos vindos da plantação da própria bodega. A vinícola La Azul tem uma produção bem pequena, de apenas 100 mil garrafas ao ano. Se curtir os vinhos, não pense duas vezes em levar algumas garrafas pra casa. São dessas que você definitivamente não vai encontrar em qualquer lugar.

Gimenez Riili

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A Gimenez Riili é uma bodega familiar, de raízes italianas, que decidiu frear sua produção para se concentrar em elaborar vinhos de maior qualidade. Está dentro do complexo The Vines of Mendoza, do qual um dos membros da família é sócio.

O restaurante é rústico e cool ao mesmo tempo, e as melhores mesas ficam do lado de fora, com vista para as montanhas. A parrilla dá para o salão, sem disfarçar a a vocação da cozinha: culinária autenticamente argentina.

The Vines (Siete Fuegos)

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O restaurante de Francis Mallmann no luxuoso complexo The Vines é bem menos formal do que o seu 1884, próximo ao centro de Mendoza. A premiada carta de vinhos do Siete Fuegos é a grande atração da casa. São 23 páginas, com índice, e vinhos apenas de Mendoza.

O primeiro horário de jantar é às 20h30, e vale a pena pegar o primeiro turno para poder escolher uma mesa na varanda. É um ambiente silencioso, e o bom clima se completa com o visual dos vinhedos iluminados. Jantar à la carte.

Outros passeios em Mendoza

1. Puente del Inca

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O principal passeio fora das vinícolas em Mendoza é o tour de Alta Montanha. É um passeio de dia inteiro.

A excursão atravessa a pré-cordilheira, passa pela intrigante Puente del Inca e chega até os Andes, e se você der sorte com o clima vai poder até tirar uma fotinho do Aconcágua. O ponto mais alto alcançado no passeio é o Cristo Redentor de Los Andes, a 3.900 metros sobre o nível do mar, e que indica a fronteira com o Chile.

2. Parque General San Martín

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Vale a pena também guardar uma manhã ou tarde para dar uma voltinha no Parque General San Martín, uma imensa área de lazer e conservação. O parque tem pistas para corrida e gramados que pedem por um piquenique. Se tiver pouco tempo, fique pela área da Fonte dos Continentes. Se quiser passear mais, suba (de táxi, e peça para esperar) até o monumento a San Martín, no Cerro de La Gloria.

É procedente assinalar que a informação foi facilitada pela Viagens Destinos. Edição, Área Jornalística Oitravels.InShot_20200804_182221724

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